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Golpe do filhote: como comprar um cachorro com segurança

Golpe do filhote com Pix, fotos copiadas e falsa transportadora: os sinais de alerta, as regras para a venda de cães e como comprar seu cachorro sem susto.

Por Publicado em 13 min de leituraLer em inglês
Imagem de capa: golpe do filhote, como comprar um cachorro com segurança

Quase todo golpe do filhote segue o mesmo roteiro: um filhote de raça lindo por um preço baixo, um vendedor que não pode receber visita e um pedido de Pix adiantado, para o filhote ou para o transporte. Você se protege quando vê o filhote pessoalmente, junto da mãe, ou pelo menos numa videochamada ao vivo, e só paga na hora de levar o cachorro para casa.

Comprar um cachorro é uma decisão emocional, e os golpistas contam com isso. Depois que a família já escolheu o nome, mais uma “taxa da caixa de transporte” não parece motivo para desistir. Desenvolvemos um app de câmera cujas fotos e vídeos outras pessoas podem conferir, por isso olhamos com atenção para o que a foto de um anúncio prova e o que ela não prova.

A seguir estão os dois golpes mais comuns, os sinais de alerta, as regras que valem para quem vende cães e o que fazer se você já pagou. Os truques que aparecem em qualquer tipo de anúncio estão no nosso guia sobre golpes na OLX e como reconhecê-los.

Golpe do filhote: os dois riscos num relance

O golpe do filhote tem duas formas. Na primeira, o filhote não existe: o golpista usa fotos copiadas, pede sinal no Pix e inventa taxas de transporte até você parar de pagar. Já na segunda, o filhote existe, mas vem de um criadouro clandestino, doente, novo demais ou com documentos que não conferem.

GolpeComo funcionaO que protege você
Filhote que não existeFotos copiadas, vendedor longe, sinal no PixNenhum pagamento antes de ver o filhote
Falsa transportadoraEmpresa indicada pelo vendedor cobra caixa, seguro ou vacinaNenhuma taxa extra para empresa desconhecida
Criadouro clandestinoFilhote real, mas doente, novo demais ou sem procedênciaVisitar o local e conhecer a mãe
Documentos falsosPedigree, carteira de vacinação ou microchip que não batemConferir os números com quem emitiu

A regra que derruba quase todos: o dinheiro só sai quando você está com o filhote, a carteira de vacinação e o contrato nas mãos.

Golpe 1: o filhote não existe e as taxas nunca acabam

A versão mais comum começa num perfil do Instagram, num anúncio na OLX ou numa mensagem de WhatsApp. As fotos são lindas, o preço fica bem abaixo do que a raça costuma custar e sempre há um motivo para você não ir buscar. O vendedor mora em outro estado, está viajando ou diz que o filhote já está “com a transportadora”.

Aí começa a parte do dinheiro. Para reservar o filhote, porque “tem muita gente interessada”, você manda um sinal no Pix. Dias depois, uma suposta transportadora de animais entra em contato por WhatsApp ou e-mail e cobra caixa de transporte, seguro, vacina, atestado ou uma taxa de “liberação” no aeroporto. Se você hesita, o filhote de repente fica doente ou retido e precisa de mais um Pix.

Cada uma dessas taxas faz parte do golpe. Um criador sério informa o preço total antes, e o transporte se combina com ele, não com uma empresa que aparece do nada. Quando chegar um segundo pedido de pagamento que você não esperava, pare de pagar e trate o que já mandou como perdido até o banco dizer o contrário.

Na OLX, golpistas também mandam mensagens falsas dizendo que a plataforma “segura” o dinheiro até a entrega. Pelos termos da Garantia da OLX, animais estão entre as categorias excluídas da cobertura. Então, no golpe do cachorro na OLX, qualquer mensagem desse tipo é falsa.

Vender um filhote que não existe é estelionato, previsto no art. 171 do Código Penal. O § 2º-A trata da fraude eletrônica, cometida com informações de uma vítima enganada por redes sociais, telefone ou e-mail, e prevê de 4 a 8 anos de reclusão. A punição existe, mas o seu dinheiro só volta, quando volta, pelo banco.

Golpe 2: o filhote existe, mas vem de um criadouro clandestino

O segundo risco é mais difícil de ver, porque o filhote é real. Ele vem de um criadouro clandestino, onde as cadelas emendam uma ninhada na outra e os filhotes saem cedo de perto da mãe. O anúncio parece de uma família que “teve uma ninhada em casa”, mas o mesmo telefone aparece em vários anúncios, com raças diferentes.

Os problemas costumam surgir depois da compra. O filhote adoece nos primeiros dias, a carteira de vacinação foi preenchida sem veterinário e o pedigree não aparece no registro de nenhuma entidade. É também quando o vendedor deixa de responder, e a conta do veterinário fica com você.

Manter animais nessas condições pode ser crime. O art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) pune abuso e maus-tratos, e o § 1º-A, incluído pela Lei nº 14.064/2020, prevê reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda quando a vítima é cão ou gato.

A OLX aceita anúncios de cães, mas as regras de anúncios proibidos vetam animais doentes ou sob maus-tratos, animais silvestres e a troca de animais por bens materiais. Um anúncio que mostra filhotes amontoados ou visivelmente doentes pode ser denunciado na própria plataforma.

Um filhote de poodle marrom sentado sobre uma colcha de retalhos colorida
Um filhote de verdade vive com a mãe e com um criador que aceita visita, não com uma “transportadora”.Foto: Anna Bondarenko / Pexels

Golpe do filhote de cachorro: 8 sinais de alerta no anúncio

Um sinal sozinho não prova nada, mas num golpe do filhote de cachorro vários deles costumam aparecer juntos. Desconfie quando o vendedor:

  1. Cobra bem abaixo do mercado: uma raça procurada por uma fração do preço habitual, ou “doação” com transporte pago.
  2. Não aceita visita: mudança, viagem ou o filhote que “já está com a transportadora”.
  3. Foge da videochamada ao vivo: manda fotos e vídeos prontos, mas nunca liga mostrando o filhote e a mãe.
  4. Entrega em qualquer lugar do Brasil: de avião ou por uma transportadora que ele mesmo indica.
  5. Quer Pix para a conta de outra pessoa: o nome do recebedor não bate com o do vendedor ou do canil.
  6. Inventa taxas novas: caixa, seguro, vacina ou “liberação” no aeroporto depois do primeiro pagamento.
  7. Apressa você: outras famílias estariam esperando, então o Pix tem que ser hoje.
  8. Usa fotos que aparecem em outros sites: o mesmo filhote surge com outro nome, outro preço ou em outro país.

O último ponto é o mais fácil de conferir. Uma busca reversa de imagem mostra em poucos minutos se as fotos do filhote estão em sites de outros canis ou em anúncios antigos. Pesquise também uma frase marcante do anúncio, porque golpistas copiam textos tanto quanto fotos. Perfis novos de “canil” com muitos seguidores e nenhum comentário real merecem a mesma desconfiança: veja como identificar um perfil fake no Instagram.

Regras para a venda de cães no Brasil: idade, vacinas e microchip

Na nossa pesquisa, não encontramos uma lei federal que fixe uma idade mínima para vender filhotes. As regras mais detalhadas estão em leis estaduais e municipais, e por isso vale conferir as do lugar onde está o canil.

O exemplo mais completo é São Paulo. A Lei estadual nº 17.972/2024 exige que quem cria ou vende cães e gatos como atividade econômica tenha CNPJ e inscrição estadual. Criadores e lojas só podem vender filhotes com pelo menos 120 dias, ciclo completo de vacinas, incluindo a antirrábica, e microchip (art. 6º). A regra vale também para vendas por plataformas digitais (art. 7º), e a mãe precisa ficar com os filhotes por no mínimo 6 a 8 semanas (art. 4º).

Na entrega, a mesma lei manda o vendedor fornecer nota fiscal, um documento com o número do microchip e comprovantes de vacinas e vermifugação assinados pelo veterinário (art. 8º). A exigência de castração prevista no texto está com a eficácia suspensa por decisão cautelar do STF na ADI 7704, como informa a própria versão compilada da Assembleia.

Em todo o país, o Decreto nº 12.439/2025 criou o Cadastro Nacional de Animais Domésticos, o SinPatinhas. O registro é gratuito, inclui o número do microchip, quando houver, e pode registrar a transferência de responsabilidade (art. 9º). Ele não prova procedência, mas peça ao vendedor o número do cadastro e o do microchip e confira com o leitor do seu veterinário.

Pedigree só vale se a entidade que o emitiu confirmar o registro; uma foto do papel no WhatsApp não prova nada. E um filhote “importado” precisa ter entrado no país com Certificado Veterinário Internacional (CVI) ou passaporte oficial do país de origem, como exige a Portaria MAPA nº 741/2024. Uma “taxa de alfândega” paga por Pix a um desconhecido não faz parte desse processo.

Como comprar filhote de cachorro pela internet com segurança

Saber como comprar filhote de cachorro pela internet é, na prática, usar o anúncio só para encontrar o criador e fazer todo o resto pessoalmente. Siga esta ordem:

  1. Pesquise o vendedor: nome do canil, telefone e CNPJ junto com “golpe” ou “reclamação”.
  2. Faça a busca reversa das fotos: antes de se apegar ao filhote.
  3. Peça uma videochamada ao vivo: com o filhote, a mãe e o lugar onde eles vivem.
  4. Visite o canil: veja a ninhada com a mãe e as condições do local.
  5. Confira os documentos: carteira de vacinação assinada por veterinário, número do microchip, contrato e, se houver, pedigree e nota fiscal.
  6. Pague na retirada: para a conta do vendedor, com o filhote nos braços.
  7. Leve ao veterinário: nos primeiros dias, inclusive para ler o microchip.

O pagamento decide a maioria dos casos. O Pix cai em segundos e só volta pelo MED se houver indício de fraude e ainda houver saldo na conta de quem recebeu. Por isso, nada de sinal para quem você nunca viu. Se o criador pedir reserva, faça isso depois da visita e com contrato. A comparação entre Pix, cartão e boleto está no guia sobre como pagar na OLX com segurança.

Dica: Antes de comprar, pense também em adotar. ONGs de proteção animal e o serviço de zoonoses da sua cidade costumam ter filhotes à espera de um lar.

Fotos e vídeos do filhote: o que provam e o que não provam

As fotos de um anúncio de filhote provam quase nada. Podem ter sido copiadas de um canil real, ter meses ou ter sido geradas por IA, e sites falsos de canis parecem tão caprichados quanto os verdadeiros. Para avaliar o site em si, use as dicas de como saber se um site é confiável. Um vídeo atual do filhote com a mãe diz muito mais, e quem recusa uma videochamada já deu a resposta.

É aqui que a KatiTrust pode ajudar. Peça ao vendedor que grave o filhote e a mãe no app da KatiTrust, que só registra o que é capturado na hora, sem arquivos da galeria. Cada vídeo recebe um código de verificação da KatiTrust. Com ele, você confere de graça, no navegador e sem criar conta se o arquivo segue intacto desde a captura, quando foi gravado e onde, de forma aproximada (cerca de 10 km).

Esse código tem limites claros. Ele não mostra quem é o dono do filhote, que idade ele tem, se está saudável ou se a carteira de vacinação e o pedigree são verdadeiros. Também não substitui a visita, o veterinário nem o contrato, e nenhum vídeo, por mais convincente, é motivo para pagar adiantado. Para gravar, o vendedor precisa de um celular Android com o app do Google Play, porque a versão para iPhone ainda está a caminho.

Caí no golpe do filhote: o que fazer e onde denunciar

Se você já pagou, não pague mais nenhuma taxa, seja qual for a ameaça da “transportadora”. No Pix, a rapidez faz diferença: a devolução só acontece se ainda houver dinheiro na conta que recebeu. Siga estes passos:

  1. Acione o MED no seu banco: pelo app, pelo SAC ou pela ouvidoria, o quanto antes.
  2. Guarde as provas: prints do anúncio, do perfil, das conversas, dos e-mails da falsa transportadora e dos comprovantes.
  3. Registre o boletim de ocorrência: na Polícia Civil do seu estado; vários estados aceitam o B.O. pela internet, como a Delegacia Digital de São Paulo.
  4. Denuncie o anúncio e o perfil: na OLX, no Instagram ou no WhatsApp, para que outras famílias não caiam.
  5. Avise sobre seus dados: se você mandou RG ou CPF para um suposto contrato, conte isso no B.O.

Se o filhote chegou doente ou os documentos não conferem, reúna o laudo do veterinário, o contrato e os comprovantes. Quando quem vendeu é um canil ou uma loja, você pode registrar uma reclamação no Procon do seu estado ou no consumidor.gov.br. Para cobrar o valor na Justiça, procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Viu sinais de maus-tratos num criadouro? Ligue 190 ou registre a ocorrência na Polícia Civil, com fotos, endereço e o link do anúncio. Os passos gerais depois de um golpe em classificados estão no guia caí no golpe da OLX: o que fazer.

Perguntas frequentes sobre o golpe do filhote

Como funciona o golpe do filhote?

O golpista publica um anúncio ou cria um perfil de canil com fotos copiadas de um filhote. Ele pede um sinal no Pix e depois inventa taxas de transporte, caixa, seguro ou vacina. O filhote nunca chega, porque não existe ou não é dele. Quando você para de pagar, o contato some.

Como saber se um canil é confiável?

Um canil confiável aceita visita, mostra a mãe e a ninhada, faz videochamada ao vivo e entrega carteira de vacinação assinada por veterinário, número do microchip e contrato. Ele responde com detalhes sobre a ninhada. Na busca reversa, as fotos devem levar só ao site ou ao perfil do próprio canil.

É normal pagar sinal para reservar um filhote?

Alguns criadores sérios pedem reserva, mas só depois de uma conversa, de preferência de uma visita, e com contrato por escrito. Mandar sinal no Pix para alguém que você nunca viu é o começo clássico do golpe do filhote. Se pagar algo antes, que seja para a conta do próprio canil, nunca para a de terceiros.

Com quantos dias um filhote pode ser vendido?

Depende do estado e do município. Em São Paulo, a Lei estadual nº 17.972/2024 só permite que criadores e lojas vendam cães e gatos a partir de 120 dias, com vacinas completas e microchip. Em outros lugares, confira a lei local. Um filhote muito novo, já longe da mãe, é sinal de alerta em qualquer estado.

Dá para receber um filhote de outro estado com segurança?

Dá, mas o transporte está no centro da maioria dos golpes. Combine tudo com um criador que você já conhece, de preferência depois de uma visita ou de uma videochamada ao vivo. Nunca pague taxas a uma transportadora indicada pelo vendedor, e desconfie de qualquer cobrança que surja depois do primeiro pagamento.

Onde denunciar o golpe do filhote?

Registre o boletim de ocorrência na Polícia Civil do seu estado, em muitos estados pela internet. Se pagou por Pix, acione antes o MED no seu banco. Denuncie também o anúncio na OLX e o perfil no Instagram ou no WhatsApp. Suspeitas de maus-tratos vão para a Polícia Civil ou para o 190.

Conclusão: no golpe do filhote, o dinheiro só sai com o cachorro no colo

O golpe do filhote funciona porque as fotos são irresistíveis e o preço parece sorte. Quase todos desmoronam com uma regra simples: você vê o filhote com a mãe, pessoalmente ou numa videochamada ao vivo, antes de mandar qualquer Pix.

Pague na retirada, confira vacinas, microchip e contrato, e desista de quem pede sinal, taxa de transporte ou pressa. Se você já pagou, ligue para o seu banco agora e registre o B.O. na Polícia Civil. Um criador de verdade entende essas perguntas, porque também quer saber para quem está entregando o filhote.

Sobre o autor

Cofundador e responsável pelo marketing da KatiTrust

Yannick é cofundador da KatiTrust, onde lidera o marketing e o conteúdo. Tem graduação e mestrado na área de negócios e trabalha há anos com marketing de conteúdo e SEO.

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